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A Porta do Sol
Na terra de Valença que reclama de Ulisses e de Viriato a fundação, e que outrora também se chamou Contrasta, vivia uma princesa que por ser tão bela, valente e pura, herdou o nome desta esplendorosa terra. Contrasta era uma das duas princesas filhas de um rei muito velhinho que aqui reinava.
A beleza da princesa era exaltada pela paisagem verdejante que a rodeava, de tal forma os montes e vales ostentavam uma fertilidade generosa. Parecia que a natureza se prolongava no brilho que os raios de sol reflectiam no olhar de Contrasta. Por todas estas maravilhas, cada dia que passava, a princesa era mais cobiçada por todos os que conheciam o perfume da sua presença.
 
As Bruxas do Caminho de Melim
Havia uma chã muito grande, adiante da Quebrada que ia para Melim, que tinha muita má fama. O povo não se cansava de contar o que por ali se passava.
Acontece que um dia, mandou uma mãe seus filhos buscar o correio ao lugar de Melim, pois soubera que o marido que estava no Brasil lhe havia escrito. A viagem ainda era longa, cerca de meia hora, e a noite estava a cair.
- Ó meus filhinhos, vós não ides buscar a carta do vosso pai?
- Vamos mãe! responderam prontamente as crianças, desejosos das novidades frescas do pai, e com vontade de obedecer à mãe.
- Atenção que não vades ali por baixo, por aquela chã. Ide por cima!
Mas os miúdos, desejosos de cumprir rapidamente o caminho, não deram ouvidos à mãe, e foram pela chã.
 
O Morto Vivo
Em tempos muito atrasados, lá para as bandas de Cristelo Covo, perto da Senhora da Cabeça, havia um barbeiro. Ora, um dia, um homem foi cortar o cabelo. Naquele tempo um corte de cabelo eram trinta reis.
O homem lá se sentou no banco para cortar o cabelo, mas quando o tinha já cortado, não querendo pagar o trabalho, fez-se de morto, caindo redondo no chão! Bem, se estava morto, o melhor era metê-lo no caixão e seguir o serviço de funeral.
Lá meteram o homem no caixão e levaram-no para a igreja, a fim de aí ficar durante a noite para ser enterrado no outro dia. O coitado do barbeiro, por causa dos trinta reis, foi sempre na cola dele, desconfiado de desenlace tão inoportuno para a sua bolsa.
 
O Portão de Crasto
Quem passa junto à Quinta do Crasto, em Friestas, depara-se com um monumental Portal carregado de história e de mistério.
Todos os que por ali passam ficam extasiados pela beleza do portal, coroado e encimado por belas ameias e cruzeiro, lembrando os privilégios e benefícios de D. Afonso Henriques e de D. Dinis aos habitantes daquela terra.
 
A Mudança de Marcos
Há muitos anos um homem de S. Pedro da Torre, antes de morrer, deixara um bom campo ao seu neto. Era um dos melhores campos da freguesia. Ora o rapaz era muito novo e pouco conhecedor das maldades das pessoas.
Um outro homem tinha também uma leira no mesmo sítio, que fazia vizinhança com o campo do rapaz. Esse homem, com o tempo, ia mudando os marcos do terreno e roubava terra ao moço. Um dia a alma do avô apareceu ao neto, e perguntou-lhe o que é que o vizinho andava a fazer. E o neto lá disse ao avô o que estava a suceder, que o vizinho lhe roubava todos os anos um pouco de terra, mas que ele tinha receio de o enfrentar, pois não conhecia bem a terra e ainda era novo.
 
A Senhora do Faro
Os Valencianos quando querem socorrer-se da padroeira celeste, lançam o seu olhar para um monte majestoso que os fascina pela beleza e pelo mistério. Lá no alto, olham o mundo pela paisagem sempre bela e fresca do rio Minho, serpenteando para o mar.
Mas se o monte, e a paisagem que desvela, inebria o olhar, o que mais atrai é o Santuário da Senhora do Faro.
 
S. Rosendo e os Partos Difíceis
Conta-se que, no tempo em que os frades habitavam o Convento de Sanfins de Friestas, houve um frade de nome Rosendo1 com fama de santidade, e que valia a todos os aflitos. Esse frade, um dia, morreu. A partir daí, os que antes da sua morte iam pedir-lhe as suas graças, agora só podiam rezar a ele junto do cemitério do convento, que está um pouco acima da igreja, no meio do monte. Faziam isto até que descobriram que no convento estava guardada a correia que apertava as pobres vestes do frade. O povo quis ver a correia para lhe tocar, e suplicar pela intercessão do frade S. Rosendo.
Desde esses tempos, nas freguesias vizinhas, quando uma mulher estava em trabalhos de parto e estes se revelavam morosos ou difíceis, mandavam alguém ao convento pedir a correia de S. Rosendo.
 
A Rainha Aragunta
No tempo dos reis e das rainhas, houve uma de nome Aragunta1, Rainha de Aragão. Aragunta era uma senhora nobre e cheia de virtudes, sempre preocupada em agradar ao marido e em satisfazer as necessidades dos seus súbditos.
Mas, como em todos os lugares, as invejas e as ambições infestaram os corações daqueles e daquelas que a serviam, fazendo com que intrigas e contendas sucedessem com frequência no seu castelo.
 
A Mulher Marinha
Há muitos anos, por alturas do repovoamento destas terras conquistadas aos mouros, houve um Senhor de nome Froião, rico-homem da terra a que deu o nome, sendo o primeiro da estirpe D. Froilano. Era ele senhor do Castelo de Froyão.
Um dia, partiu o ilustra Senhor pelos seus montados com três escudeiros, em busca de caça. Cavalgando pelos montes e vales da sua terra, juntavam e matavam enorme quantidade de animais com que organizavam grandiosos festins no castelo. Era frequente encontrar o javali, a corça, o veado, etc., que eram o regalo dos caçadores.
Mas naquele dia, junto ao rio, D. Fraião e os que o acompanhavam tiveram uma visão deslumbrante e inusitada: uma belíssima mulher dormia sobre a erva, mesmo na borda da água!
 
O Monge e o Passarinho
Estava um monge no coro da capela do mosteiro de Ganfei a rezar as matinas com os outros religiosos, quando chegou àquela parte do salmo onde se diz que «mil anos à vista de Deus são como o dia de ontem que já passou».
Admirou-se o homem com aquela frase que não compreendia e começou a dar voltas à cabeça para descobrir como poderia aquilo ser. E, como era seu costume acabadas as matinas, ficou a rezar no coro.
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