Deu-La-Deu Martins
O brasão de armas de Monção perpetua esta figura portuguesa do tempo das guerras de D. Fernando, Rei de Portugal, com D. Henrique de Castela, no longínquo século XIV: em campo branco uma torre, no alto da qual emerge um vulto de mulher, em meio corpo, segurando um pão em cada uma das mãos; em volta a legenda, Deus a deu - Deus o há dado.

Pois esta é a história de Deu-la-Deu Martins, a mulher do capitão-mor de Monção, Vasco Gomes de Abreu, e dos actos de bravura que fizeram dela a heroína e o símbolo desta vila nortenha.

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O Outeiro Pedroso
Lá para os lados do Monte do castelo, na freguesia de Sago, existia, como o próprio nome o diz, um castelo onde moravam, em tempos antigos, os mouros. Quem morava à volta do local conhece a «buraca da Moura», as pias onde os mouros se lavavam, e o morro que encima o castelo, a que o povo chama de «Curunha do Castelo». Há quem diga que os mouros subiam lá para cima com uma corneta, que tocavam quando avistavam alguém a aproximar-se.

Nessa altura, formavam-se grupos dos dois lados, e aquilo era pedrada de todo o tamanho! Os mouros não deixavam lá entrar ninguém. Quando queriam sair seguiam pela «buraca da Moura» até ao castelo da Lapela, por um túnel subterrâneo. Alguns afirmam que esse túnel ia até à outra margem do Minho.

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D. Mariana de Lencastre
Graças ao nosso rei D. João IV havia já anos que Portugal vivia a sua feliz independência. Apesar de tudo o monarca português, temendo alguma cilada dos Castelhanos, tinha mandado pôr guarnições em todas as praças fortes fronteiriças entregando-as ao cuidado de honrados e ilustres fidalgos.

Monção, uma dessas praças portuguesas, sentia-se ameaçada, mas D. João IV, prevendo o perigo que podia correr, confiou-a a um dos mais ilustres cavaleiros portugueses: D. João Rodrigues de Vasconcelos. A ele foi confiado esse cargo elevado por ter praticado actos importantes por terras de Cartagena das Índias e do Nordeste Brasileiro, vindo tornar-se notável fidalgo.

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O Carvoeiro
No tempo em que os carvoeiros vinham à Vila de Monção vender o seu produto, aproveitavam para carregar nas suas mulas e burros outros produtos de préstimo para as pessoas.

Acontece que, entre os moradores da vila, estes homens eram frequentemente brindados com brincadeiras e partidas de mau gosto, porque julgavam-nos ingénuos ou ignorantes.

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Feiticeiras de Crasto
Que as feiticeiras se reúnem de noite para as suas tropelias e divagações festivas, todos o sabem, mas porque é que elas têm uma predilecção pelo Monte do Crasto, isso é que ninguém consegue adivinhar. O certo é que por ali são muitas as vezes em que as vadias das feiticeiras incomodam muitos dos caminhantes.

Os afazeres do campo ou dos ofícios nem sempre terminavam à luz do dia, obrigando a percorrer os caminhos mais esconsos e escuros, envolvidos pelo barulho da floresta viva. As feiticeiras preferiam a escuridão, querendo-a só para si, infligindo por isso toda a espécie de males aos que se aventuravam pela noite nos locais dos seus encontros.

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O Penedo da Toca e A Pedra Sobreposta
Sempre os homens se interrogaram das formas e razões que justificam as posições dos muitos penedos que enfeitam os montes destas terras.

Como se colocaram uns em cima dos outros, em equilíbrios de malabaristas? Se muitos não chegaram a qualquer conclusão o mesmo não se pode dizer dos moradores de Pias e de Sago.

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Os Figos de Ouro
São muitos os penedos que saltam aqui e ali pelos montes do concelho de Monção. Em Pias existem alguns com nome feito e bem conhecidos, como o Penedo da Toca, o de teixugueira, ou o Penedo da Ponte. Existiam em Pias dois penedos que faziam uma ponte entre si. Através deles, mesmo pelo meio, passava um carreiro que ia dar ao monte, para as bandas de Taias.

Acontece que um dia, um grupo de pessoas seguia por esse carreiro para o campo. Era frequente que quem ali passava, parasse um pouco, olhando para a paisagem lá ao fundo. Desta forma agiram as pessoas que seguiam nesse dia. Uma do grupo, mais curiosa, reparou em algo de diferente num campo, a que chamavam das minas, por aí acreditarem existir tesouros de mouras.

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A Vingança de Fernão Gonçalves
A aldeia de Paços, que faz parte da freguesia de Lara, viveu nos primeiros tempos da monarquia um fidalgo - o conde de Lara - chamado Fernão Gonçalves.

Era este fidalgo um batalhador incansável contra os mouros. Casado com uma infanta de Navarra, teve um filho e uma filha. Na luta contra os sarracenos, D. Fernão perdeu o filho, D. Gonçalo, e ficou-lhe apenas a filha, D. Constança.

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A Igreja dos Milagres
Na freguesia de Cambezes, do concelho de Monção, existe um Santuário dedicado a Nossa senhora dos Milagres. Se em todas as invocações da Mãe de Deus o povo crente encontra a protecção milagrosa da Virgem, ao dar-lhe o nome de Senhora dos Milagres quer premiar um acontecimento que esteve na origem do Santuário.

Havia uma senhora fidalga, de nome Eulália, que tinha esmero nas riquezas deste mundo e na educação dos filhos. Um dos seus filhos, chamado Damião, era uma criança alegre e brincalhona, como são todas as crianças de tenra idade.

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A Coca
Era uma vez um jovem moço de gentil disposição e de grandes forças que nasceu de pais novos e ricos, lá para os lados do oriente a quem deram o nome de Jorge.

Andava um dia S. Jorge nas terras de Líbia quando escutou um grito horrendo e desesperado. Acorreu o jovem guerreiro aquele apelo de ajuda. Quando chegou junto do local de onde viera o grito deparou com um terrível animal e uma jovem donzela. Era esse monstro um enorme dragão que tentava devorar a jovem. S. Jorge não hesitou um segundo avançando de lança em punho feriu de morte a fera assassina.

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