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Inês Negra
Refilona de trato, fervia-lhe o sangue ao ver, do alto das muralhas, os preparativos dos seus compatriotas lá para as bandas da Senhora da Orada. Ali instalados, os soldados portugueses armaram um engenho que permitia lançar projecteis para a vila sitiada, e iniciaram a construção de uma bastida, torre de assalto sobre rodas, de modo a superar a aparente invulnerabilidade das muralhas.
Enquanto preparava o assalto, D. João passava longos momentos a meditar todas as estratégias que melhor defendessem os seus homens, ao mesmo tempo que desejava afirmar o seu domínio, tanto sobre a praça, como sobre o coração da sua jovem esposa, a gozar uma lua-de-mel tão atribulada. Quanto mais cedo a resolução do esforço militar, mais cedo se entregaria ao gozo nupcial.
 
Empresa das Mulheres
É então que as mulheres daquele lugar, ao verem os seus desnorteados, e perante a afronta desmesurada dos galegos, corajosas e determinadas, resolvem intervir.
E se os homens fogem desorganizados e abandonando as armas, elas, depois de se armarem como os guerreiros, cerram fileiras e avançam sem medo, prontas a salvar o país da ignomínia de uma humilhante derrota.
 
O Lagarto de lamas de Mouro
Em tempos que lá vão, nas imediações da chã de Lamas de Mouro, existia um monstruoso lagarto que afligia toda a população. O enorme réptil postava-se sobranceiro ao caminho que levava à Senhora da Peneda, e todos os que ali passavam eram engolidos pelo seu apetite voraz.
Todos os anos, alguns pastores, perdigueiros, e romeiros, que por ali passavam com destino ao Santuário da Senhora, eram vítimas do feroz lagarto.
 
Frei João da Cruz
Há muitos anos vivia perto de Melgaço um jovem nobre mas de fraca fortuna. Chamava-se Mendo de Azevedo, era valente, belo, e doido pela aventura.
Tendo sofrido um desaire político, passou a Espanha. E aí encontrou, certa tarde, numa das belas casas solarengas de La Marina, uma jovem muito bela, muito rica e muito nobre. Chamava-se a donzela Sol e pertencia à família dos senhores de Yepes.
 
O Tomás das Guingostas
Em tempos que já lá vão, no reinado de D. Isabel, viveu no lugar de Sante, um homem chamado Tomás Joaquim Codeço, mais conhecido por Tomás das Guingostas. Este homem tinha uma quadrilha, da qual era o líder. O povo dizia que o Tomás das Guingostas, com a sua quadrilha, roubava aos senhores e comerciantes ricos para depois distribuir pelos pobres.
Tomás era um homem destemido e forte, que enfrentava qualquer pessoa sem medo. Caso o número dos perseguidores impusesse mais respeito, como acontecia frequentemente com as perseguições da Guarda Real, o Tomás refugiava-se numa mina que tinha no lugar de Sante, que era um verdadeiro labirinto, indo desde este lugar até ao cruzeiro de S. Paio.
 
Senhora da Orada
Corria o ano da Graça de Nosso Senhor de 1569, e pelas terras do Vale do Minho espalhava-se a peste. Em todas as freguesias as pessoas estavam apavoradas com o terrível flagelo. Ricos e pobres eram atacados por um grande febrão, e ninguém parecia escapar a esta desgraça.
Cheios de pavor e de fé, todos se voltavam para os santos, pois só a eles parecia restar o poder para debelar tão grande infortúnio.
 
O Tear de Ouro
Em tempos que lá vão, junto do regato do Martingo, onde existe um penedo com uma grande brecha, que ninguém fora, até então, capaz de abrir, ouvia-se um barulho familiar. Parecia o bater de um tear em pleno trabalho. Sempre que ali passavam os transeuntes, ouviam uma labuta ininterrupta, o que levou o povo a acreditar que naquele local morava uma moura encantada!
Era de tal forma contínuo o trabalho, que o povo decidiu quebrar o encanto para salvar a pobre da moura de tão pesado fado. Se assim pensaram, logo se reuniram junto do penedo com um entendido no livro de S. Cipriano, para dar início ao desencantamento.
 
O Coto da Moura
Há muitos, muitos anos, no lugar onde hoje existe uma fonte que enche um regato e rega muitos campos, havia uma Moura encantada que todos os dias, ao nascer do sol, saía para estender o seu tesouro no cimo de um penedo, a que chamaram Coto da Moura. Servia este penedo de soalheiro ao tesouro da Moura.
Depois de estender o seu tesouro, a moura sentava-se no cimo do penedo e, enquanto cantava, ia penteando os seus belíssimos cabelos louros com um maravilhoso pente de ouro. Refulgia ao longe tal conjunto. Pensava-se que a Moura assim fazia para atrair, com o deslumbramento das jóias, alguém que a pudesse desencantar.
 
Os Lobos
No tempo em que não havia luz em lado nenhum, de noite, os lobos vinham com frequência visitar as casas. Nas noites escuras de Inverno, quando certos barulhos circundavam as casas, todos se arrepiavam, pensando no lobo esfomeado.
As histórias de pessoas e rebanhos devorados pelos lobos ouviam-se com frequência junto à lareira. Naquele dia o Agostinho tinha ido a Castro Laboreiro com o seu carro de bois. Ganhava a vida carregando feno, vinho ou lenha dos montes. Camiões e camionetas era coisa que não existia.
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